Copo de 3: Algarve
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11 abril 2016

Quinta do Francês branco 2014

O Quinta do Francês branco 2014 é um 100% Viognier com passagem por barricas de carvalho francês, com boa complexidade, fresco, de aromas delicados e limpos, descritores a invocar a casta (pêssego, maçã, pêra, ligeiro floral), baunilha da barrica com tudo em grande harmonia. Saboroso com a fruta a fazer-se sentir acompanhada de toque apimentado, algum fruto seco (avelã), frescura e a envolvente da madeira a arredondar os cantos em final de boa persistência. Sirva-se fresco a acompanhar uns chocos à Algarvia. 90 pts

10 novembro 2015

Convento do Paraíso, a reconquista do Algarve


O Algarve enquanto região produtora passou praticamente de inexistente para uma tímida e crescente vontade de se fazer ouvir. Os investimentos que têm sido feitos na última década têm sabido mostrar os seus frutos e hoje em dia o Algarve enquanto região produtora de vinho de qualidade é uma realidade. A região vive ainda órfã de uma identidade própria que consiga distinguir os vinhos ali produzidos das restantes regiões, algo que acontece por culpa própria e que depende dela própria para saber encontrar o melhor caminho. Têm esse dever os produtores que ali têm sabido fazer vingar com sucesso os seus projectos, como disto é exemplo o Convento do Paraíso (Silves). Tudo acontece na Quinta de Mata Mouros, propriedade do empresário Vasco Pereira Coutinho, localizada ao lado do rio Arade paredes meias com a cidade de Silves. O Convento de Nossa Senhora do Paraíso foi edificado no séc XII após conquista de Silves, de vinha são 12 hectares plantada de raiz no ano de 2000, onde despontam Cabernet Sauvignon e Sousão nas tintas e Alvarinho e Arinto nas brancas, sendo esta apenas a quarta vindima desta joint venture que começou em 2012 e que junta a família Pereira Coutinho com a família Soares (Herdade da Malhadinha Nova e Garrafeira Soares). Na adega juntam-se para o mesmo fim a vertente mais tradicional com os lagares e a faceta mais moderna com a tecnologia de ponta.


Poderiam optar por fazer vinhos previsíveis, felizmente não o fazem digo eu e serve isto de mote para o tinto Imprevisto 2014 num lote de Touriga Nacional/Aragonez. Desponta juventude com muita fruta carnuda e bem suculenta, muito vigor com balanço entre a doçura da fruta e a acidez, floral com toque de aconchego com alguma compota, bastante directo e apetecível desde o primeiro copo. O preço ronda os 5€ garrafa e está também num muito apetecível bag in box de 5 litros com preço de 9,95€.

Segue-se a gama Euphoria que nos invoca a sensação de bem-estar, satisfação e alegria, com versão rosado, branco e tinto. Três vinhos que seguem o mesmo diapasão, fruta bem limpa e madura com aromas muito presentes num conjunto a mostrar-se com energia e muito bem-disposto. O Euphoria branco 2014 centrado no duo Alvarinho/Arinto brilha pela sua frescura, alguma calda tropical a envolver os citrinos de bom-tom, floral num todo convidativo e muito atraente. Enquanto o Euphoria rosado 2014 com Touriga Nacional/Aragonez mostra os seus frutos vermelhos bem torneados envoltos num delicado perfume. Boa frescura no palato com passagem saborosa e ligeiramente seco no final de boa persistência. Por fim o Euphoria tinto 2013 que teve ainda direito a 6 meses de estágio em barricas de carvalho francês. Mostra-se num plano mais sério onde a fruta negra e vermelha muito centrada nas bagas e frutos silvestres se mistura com um toque vegetal muito presente. Ao conjunto juntam-se ainda notas terrosas e de alguma especiaria, em fundo a barrica aconchega todo o conjunto que ainda com sinais de juventude dá bastante prazer à mesa.
Finalmente o que se assume como topo de gama, o Convento do Paraíso 2012 que resulta do inusual lote de Cabernet Sauvignon e Sousão. Diferente, desafiante e ao mesmo tempo cativante quer a nível de aromas como de sabores. Da fruta muito sólida e fresca combina tons de vegetal maduro, alguma compota e especiaria com bonita envolvência da madeira. Vinhos de um projecto recente que merecem ser conhecidos e cujo cunho de qualidade conferido pela equipa da Herdade da Malhadinha promete muitas alegrias no futuro próximo.

Published in Blend All About Wine

27 outubro 2009

Barranco Longo rosé 2008

Conheci este rosé enquanto passava férias no Algarve, em pleno Agosto. Já tinha lido, já tinha ouvido falar, faltava então uma oportunidade de o encontrar para poder comprar e provar/beber.
O vinho Algarvio não é uma "invenção" recente, já lá mora faz quase tanto tempo como em outras regiões, o problema é que a qualidade associada ao que lá se dava a conhecer deixava muito a desejar. Mas também com sol e praia quem é que ia querer ligar ao campo e à vinha... ?
Um dos principais responsáveis pelo ressurgimento desta região, é Rui Virgínia, proprietário da Quinta do Barranco Longo, em Algoz, dos 60 hectares de exploração que dispõe 12 estão ocupados com vinha moderna. A vinha é composta por castas variadas, brancas: Chardonay, Arinto e Moscatel e tintas: Aragonez, Touriga Nacional, Castelão, Alicante Bouchet, Cabernet Sauvignon, Syrah, Trincadeira Preta.
Em 2001 iniciou a actividade de produção de vinhos, sob orientação do Enólogo Luís Euclides Rodrigues e em 2003 produziram-se os primeiros vinhos Quinta do Barranco Longo. Com merecido destaque coloco o Barranco Longo rosé 2008, um vinho que não me deixou indiferente e entrou directamente para a lista dos melhores rosés provados este ano.

Quinta do Barranco Longo rosé 2008
Castas: Aragonês e Touriga Nacional - Estágio: inox - 13,5% Vol.

Tonalidade ruby com boa intensidade.

Nariz a dizer claramente que estamos perante um rosé de perfil sério e ao mesmo tempo fresco e com boa intensidade. Fruta vermelha madura com toques de ligeiro doce, vegetal presente a lembrar a rama do tomate ou então o pé do morango acabado de cortar. Aromas com boa concentração e presença, leve especiaria a complementar um pouco mais o conjunto, que já de si tem muito boa pinta.

Boca com entrada cheia de fruta vermelha (framboesa, amora, morango) aliada a uma acidez bem colocada que lhe dá a frescura suficiente para aguentar o peso/estrutura que mostra ter. Um rosé sério, com mais corpo do que o normal, mesmo assim muito bem equilibrado e trabalhado, até com ligeira sensação de arredondamento na sua espacialidade, com final de boca de boa persistência.

Este vinho rondou os 6,50€ numa garrafeira em Armação de Pêra, e demonstrou ter um perfil muito gastronómico (anda na moda dizer isto). Eu não lhe resisti em colocar-lhe à frente, uma caldeirada de lulas, e portou-se lindamente. No final ainda se disse, mais lulas houvesse para tão bom rosé. 16 - 90pts

19 março 2009

Quinta do Francês 2006

Estive no vai não vai para colocar como título para este vinho, uma surpresa que veio do Sul, pois foi do soalheiro Algarve que me chegou este, Quinta do Francês 2006.
Um tinto que durante a prova revelou ser uma boa surpresa e que sinceramente não estava à espera face ao desempenho que outros tantos vinhos Algarvios já me tinham acostumado.
Ainda bem digo eu, pois este exemplar conseguiu algo que outros até aos dias de hoje ainda não conseguiram, o ficar com a vontade de o voltar a provar.
Este vinho Regional Algarve, vem de Odelouca River Valley, que não fica nos Estados Unidos e muito menos na Austrália, afinal de contas, tudo começou quando um médico francês, Patrick Agostini, decidiu converter uma encosta da Ribeira de Odelouca em paisagem vinhateira.
Foram 6,5 hectares que se tiveram de desmatar e drenar, para que naquele solo de xisto ácido, fosse plantada a vinha, composta apenas por castas tintas (Cabernet Sauvignon, Syrah, Trincadeira e Aragones). Em sete longos anos, só conseguiu uma produção experimental de 4.000 litros, porem esta ainda se encontra aquém das exigências de Patrick Agostini.
Em lançamento no mercado, encontra-se a colheita 2006 (aqui em prova), para dar lugar lá mais para Junho à colheita de 2007.

Quinta do Francês 2006
Castas: Cabernet Sauvignon, Syrah, Trincadeira e Aragones - Estágio: 16 meses em carvalho francês novo e 6 meses em garrafa - 13,5% Vol.

Tonalidade granada escuro de concentração média/alta.

Nariz a mostrar-se num pendolo que vagueia entre uma nuance de fruta madura (cereja, ameixa e alguma groselha) e o vegetal fresco (rama de tomate). O vinho parece andar num pequeno reboliço ou direi mesmo um pouco inconstante no que toca ao aroma, mostrando-se ao mesmo tempo algo delicado e sem grandes exuberâncias. Consegue transparecer um toque químico que se funde nos tiques da barrica, a baunilha ligeira e um floral (lavanda ?!?) que anda a brincar ao esconde-esconde. Tudo enrolado e muito bem encaminhado por uma frescura que aqui se mostra regada por especiarias (pimentas).

Boca de entrada fresca, dando as mesmas sensações que na prova de nariz, o herbáceo que não se mostra de forma exagerada, marca a sua presença ao lado de uma acidez que lhe confere frescura e percorre toda a boca de princípio a fim.
A tosta, o fumo, a harmonia que consegue mostrar sem um corpo desmesuradamente cheio ou pesado, com alguns taninos vivos a saltitar por ali. Final de bela persistência, com a frescura e o vegetal fresco a dizerem adeus.

É um vinho que ganhou claramente com o tempo que passou no copo, a decantação foi benéfica seja dito. O vinho aparenta mostrar-se numa fase onde ainda se está a conhecer a si próprio, revelando arestas por limar aqui e ali, uns taninos mais rebeldes ou a mistura entre químico e vegetal, são exemplo disso mesmo. Será muito curioso ver como vai evoluir daqui para a frente. No que toca a gastronomia arriscaria sem receios num casamento com uma feijoada de búzios. Gostei.
15,5
 
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