Copo de 3: Nora da Neve 2006

20 fevereiro 2011

Nora da Neve 2006

Em Portugal os brancos feitos da casta Alvarinho com passagem por madeira é algo digamos recente, excluindo os casos pontuais que existem, o número de produtores que o faz com grandes resultados conta-se pelos dedos de uma mão, do outro lado da fronteira nas Rias Baixas esta prática já não é digamos, recente, e os Albariños com fermentação em barrica têm surgido sempre como vinhos raros e caros, em que são sempre o topo de gama da casa.
Da adega rodeada por vinhas com panorâmica para o Rio Minho, solos pobres e arenosos, altitude inferior a 300 metros, próximas ao mar e ao mesmo tempo ao rio. São 14 hectares de vinha da casta Alvarinho, em que os solos são compostos por uma original mistura de cascalho com granito, os vinhos da última colheita nunca se engarrafam antes do mês de Março seguinte, sendo objectivo claro das Bodegas Viña Nora comercializar vinhos jovens e não recém nascidos. Um dos grandes desafios foi a elaboração de um vinho, como o Nora da Neve, fermentado integralmente em barricas de carvalho francês. Com este vinho presta-se homenagem à tradição dos antigos Albariños que permaneciam em barrica até ao segundo ano de vida, e ao mesmo tempo, apresenta-se uma alternativa moderna na gama da mais alta qualidade de brancos de Espanha. Não é certamente daqueles vinhos de fácil abordagem ou que todos vão adorar, este Nora da Neve 2006 precisa de atenção e dedicação, precisa de copos à altura para melhor o podermos entender, um 100% Alvarinho com 7 meses de banhos em barricas de carvalho francês cujo preço ronda os 21€.

Aroma a precisar de espairecer, precisa de algum tempo no copo, o que se nota logo de início é uma oxidação positiva e no bom sentido com a barrica a dar notas da sua presença em boa integração com o conjunto. É com algum tempo que o vinho se vai mostrando, fino e elegante, com fruta madura (polpa branca, citrinos, tropical ligeiro) um pouco desgastada na frescura e intensidade quer pelo tempo quer pela madeira, vegetal e floral seco (louro, flores brancas), pinhão, manteiga de avelã e fumados em fundo.

Boca de entrada calma e com boa amplitude, muito esclarecido no que tem a mostrar e a dar, acidez fina e firme que serve de fio condutor para toda a passagem de boca, com a madeira a servir de pano de fundo, no meio desfilam as frutas (citrinos, polpa branca) em suave calda na maneira que parece conferir alguma untuosidade. O final é longo e persistente.

Primeiro estranha-se, depois entranha-se e quando queremos mais já não há. É assim este Nora da Neve, um Alvarinho luxuoso recheado de coisas boas de grande qualidade, a complexidade em copo faz dele um vinho telúrico e amigo de boa conversa à sua volta. Será certamente um bom exemplo de como a passagem por madeira confere à Alvarinho uma nova complexidade e mantém parte da frescura tão necessária para o vinho não perder interesse. A fruta aliada a um conjunto recheado de coisas boas, de cheirar e de provar... 17 - 92 pts

2 comentários:

Raul Carvalho disse...

Oh joão, tens de por aqui a nota de prova do Riesling Gasóleo...

HAHAH

Abraço joão...
http://vinho-umritmodevida.blogspot.com/

vinho um ritmo de vida disse...

Foi uma bela de uma prova. Ainda assim, acho que temos vinhos brancos a este nivel em Portugal. Abraço!

Joel dos manos Carvalho

 
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