Copo de 3

15 fevereiro 2017

Ravasqueira Espumante Grande Reserva 2012


O Monte da Ravasqueira está a proceder ao lançamento de dois novos vinhos de produção limitada que representam dois importantes tributos, o Ravasqueira Espumante Grande Reserva e o MR Premium Touriga Nacional, ambos da vindima de 2012 e que prestam homenagem, respectivamente, ao tapete de Arraiolos e aos 20 anos decorridos sobre a conquista do Campeonato do Mundo de Atrelagem, que teve lugar na Bélgica em 1996, por cavalos lusitanos do Monte da Ravasqueira. A presença dos tapetes de Arraiolos no Monte da Ravasqueira está historicamente ligada à Ermida de Santo António O Velho, templo religioso datado do início do século XVI que fica dentro do perímetro da propriedade e que albergou, até há poucos anos, um muito antigo tapete de Arraiolos que embeleza hoje uma das principais salas da Casa do Monte da Ravasqueira. É justamente esta ligação e historicidade que justificam a homenagem ao tapete de Arraiolos, bem patente no design da sua garrafa e embalagem.

O Ravasqueira Espumante Grande Reserva 2012 é um vinho criado a partir de uvas da casta Alfrocheiro vindimadas à mão e produzido segundo o método tradicional, com a segunda fermentação em garrafa, onde estagiou sobre as borras durante 36 meses. Tudo muito cuidado e rigoroso, assente no bom gosto que sempre pautou por estes lados, sendo este espumante disso um claro exemplo. Compra-se na loja do produtor e paga-se pela qualidade e pela exclusividade de um produto que nos dá a garantia de plena satisfação à mesa, servido em ocasião especial ao lado daqueles que gostamos e que nos acompanham. Mais do que aromas ou sabores é o prazer que nos proporciona, é a frescura, delicadeza e enorme elegância com que se apresenta no copo. É fantástica a ligação que faz com ostras e demais bichos do mar, mas acima de tudo é um vinho para brindar à vida e à amizade. 93 pts

14 fevereiro 2017

As novidades da Herdade das Servas

Herdade das Servas com Estremoz ali ao lado
Dizem que o passar do tempo trás a sabedoria e a serenidade, é também na passada do tempo que os grandes vinhos vão sendo guiados no caminho da excelência. Na Herdade das Servas (Alentejo) esse é o caminho que vem sendo trilhado com sucesso desde que o projecto arrancou em 1999. São sábias as mãos que por ali os vão criando, são essas mãos que lhes dão a capacidade de envelhecimento que as primeiras colheitas ali nascidas nos mostram com garbo nos dias de hoje. Uma adega é como uma universidade, fundamental na transmissão de valores e na educação dos seus vinhos. 

Depois da última visita posso dizer com toda a certeza que a adega da Herdade das Servas é uma verdadeira Universidade que forma vinhos de gabarito para depois os colocar no mercado mais exigente. E como o saber não ocupa lugar, a procura do querer mais e melhor deu lugar à experimentação cuidada e sempre mantida no segredo até que os resultados sejam suficientemente sérios e capazes de conquistar os palatos mais exigentes. É essa vontade de querer sempre mais e melhor que permite que ano após ano sejamos brindados com um vinho diferenciador dos restantes ali criados. São esses mesmos vinhos que me aguçam a curiosidade e que me fizeram deslocar uma vez mais à Herdade das Servas. 

No dia anterior tinha sido aberto, na companhia do enólogo Tiago Garcia, um Herdade das Servas Reserva 2003 que marcado pela casta Alicante Bouschet e que a caminho dos 14 anos, se mostrou em grandiosa forma. Estava lançado o mote para a prova de algumas das mais recentes novidades. 

O desfile das várias novidades da Herdade das Servas

Herdade das Servas Alvarinho 2015: Destaca-se pela boa frescura de aromas que invocam a casta, limpo e com o volume próprio que a casta ganha no Alentejo. Saboroso e cheio de energia, firme com notas de citrinos e leve tropical a terminar seco e prolongado.

Herdade das Servas Reserva Branco 2015: Reparte o lote pelas castas Arinto, Alvarinho e Verdelho, com passagem por barrica que se mostra bem integrada. Amplo e com a frescura da fruta em tons citrinos e de pomar, arredondado pelo madeira mostra-se amplo de corpo, com vigor e elegância.

Herdade das Servas Unoaked 2015: Uma novidade, um topo de gama cujo estágio apenas decorreu em inox durante seis meses, com posterior repouso em garrafa de mais seis meses. O Alicante Bouschet domina o lote, restando pouco para a Syrah e a Touriga Franca. Um vinho cheio de vida com a pujança da fruta bem fresca e madura, amoras e framboesas com tons de ameixa seca, cacau e um ligeiro balsâmico de fundo. Na boca é o lado mais vigoroso e austero das bagas silvestres a mostrarem um tinto saboroso com taninos vivos a darem boa secura no final. Terá uma longa vida pela frente, mas de momento com um ensopado de javali é uma delícia.

Herdade das Servas Reserva 2013: Uma década depois do primeiro Reserva, comemoramos agora com este 2013 onde assistimos a uma valsa entre a Alicante Bouschet e a Cabernet Sauvignon com passagem em madeira durante 12 meses. O vinho é amplo, maduro com a fruta limpa e saborosa, sente-se que está cheio de vida com notas de cacau, tabaco, tudo ainda muito jovem e a pedir tempo. Na boca é alvo da juventude mais inquieta, intenso, cheio e amplo, feito para durar e encantar, tal como continua a fazer o Reserva de 2003.

Herdade das Servas Parcela V 2011: Será a partir de agora o novo topo de gama, oriundo de uma vinha velha, que passa 12 meses em barrica e mais 3 anos em garrafa. O que se destaca no primeiro impacto é a frescura e a elegância de um conjunto repleto de finesse. O perfil é o da casa, um vinho cheio, amplo, estrutura firme, mas neste caso é dono de uma elegância suplementar. Os aromas aconchegam num complexo e rendilhado bouquet, com a boca a mostrar toda a frescura da fruta, amplo, saboroso e de enorme voracidade à mesa.


Frasqueira da Herdade das Servas


13 fevereiro 2017

Blandy’s Terrantez 1977


Não consigo ficar indiferente a um vinho desta qualidade que já conta com 40 anos repleto de vida. Este foi engarrafado em 2015 e mostra-se diferente do anterior lançamento, uma diferença que segundo o que consegui apurar se deve aos lotes/cascos escolhidos. Segundo consta será dos últimos lançamento (o próximo será o 1980) desta casta por parte da Blandy´s uma vez que a vinha que lhe deu origem deu lugar à construção de uma unidade hoteleira nos anos 80. Majestoso e imponente pela classe, detalhe e qualidade de todos os detalhes com que nos brinda no copo. Parece vir em finas camadas, num bouquet rico e complexo, onde a limpeza de aromas e sabores sobressai com notas de passa de figo, frutos secos, toque salino, enorme elegância de conjunto com casca de laranja caramelizada. No segundo plano uma ligeira sensação de toffee que lhe aumenta a sensação de untuosidade a envolver tudo numa prova inesquecível. Produção de 1588 garrafas com preço a rondar os 250€. 97 pts

09 fevereiro 2017

Quinta do Valdoeiro Reserva branco 2010


Feito de Bical, Chardonnay e Arinto, este Reserva 2010 da Quinta do Valdoeiro (Bairrada) mostra que o tempo que já leva em garrafa lhe afinou o espírito. Com boa frescura de conjunto a fruta perdeu parte da exuberância que a definia e surge agora acompanhada de alguma calda, cera de abelha e resina. Sinais do tempo a fazerem-se sentir no copo, complexidade ligeira que o torna agradável sem que se perca pelo caminho com ligeiro amargo vegetal no final de boca. Compra-se por coisa de 10€ e é um vinho pronto para ir à mesa a acompanhar uma Pescada à Galega. 89 pts 

07 fevereiro 2017

Messias Vinha de Santa Bárbara 2011

Mas que bela surpresa este vinho criado pelas Caves Messias na Quinta do Cachão (Douro) a partir da Vinha de Santa Bárbara. Evidencia-se no imediato pela sua identidade muito própria, por mais volta que dê no copo apetece cheirar e beber, perfumado e fresco, com tudo muito bonito e bem aprumado, acetinado com ampla frescura e a fruta suculenta e ácida com as cerejas e mirtilos em destaque. No segundo plano algum cacau, floral suave, cresce no copo e mostra uma muito bonita complexidade. Muita qualidade e prazer que este vinho proporciona por coisa de 20€ e que faz um brilharete à mesa a acompanhar uns lombinhos de porco no forno com migas de couve e batatinhas. Pode ser bebido desde já ou ir sendo consumido nos próximos anos que continuará em grande forma. 92 pts

06 fevereiro 2017

Caiados de fresco by Adega Mayor


Situada em Campo Maior (Alentejo), fica a Adega Mayor de onde nos chegam estas três referências da marca Caiado que funcionam como entrada de gama do referido produtor. Apresentaram-se na colheita de 2015 com uma nova roupagem, pelo que se pode dizer que estão caiados de fresco. Disponíveis em tinto, rosé e branco, são vinhos onde a fruta é dona e senhora de todas as atenções. Destaca-se essencialmente a cuidada imagem, mas acima de tudo a qualidade que nos apresentam no copo torna-os vinhos bastante agradáveis, frescos, alegres e a pedirem mesa e companhia à sua volta. Como curiosidade estágio em inox é comum aos três vinhos em causa.

O Caiado branco 2015 feito a partir do lote das castas Antão Vaz, Arinto e Roupeiro, com os aromas frescos e maduros, limpos de uma fruta muito sumarenta e perfumada. A acidez dá a frescura suficiente para lidar com os mais triviais petiscos que nos surjam à mesa e porque não as Sopas de Cação ou uma Caldeta do Rio, tem estofo para tal e o problema é em conseguir ter garrafas suficientes para todos aqueles que se juntem à nossa mesa. 88 pts

No interlúdio entre peças, diga-se pratos, abrimos o Caiado Rosé 2015 que é filho das castas Aragonês, Castelão e Touriga Nacional. Mudam os aromas e muda o tom, mudamos pois para os morangos, amoras e ameixa, tudo maduro e com um toque guloso de rebuçado. Picamos uma rodela de chouriço frito, depois mais outra, agora um bocadinho de farinheira sem problemas que o vinho aguenta pois tem frescura suficiente para tal. Damos conta e temos à frente umas Sopas de Tomate com Capelas, este Rosé como bom Alentejano porta-se à altura e quando damos conta no final nem Sopas nem vinho. 88 pts

Aguardamos então com o Caiado tinto 2015, custa coisa de 4€, pelo próximo prato. Este tinto criado a partir do lote Aragonês, Trincadeira e Alfrocheiro mostra o lado mais morno da planície, sem por isso ter a sua dose de frescura e candura. Afinal de contas as Burras de Porco Preto tinham sido lentamente estufadas, ou direi caiadas, por este tinto. Uma combinação perfeita com o vinho a mostrar ter estrutura e frescura suficientes para a empreitada. 89 pts

01 fevereiro 2017

Herdade do Perdigão Reserva, grandes vinhos com nova imagem


A Herdade do Perdigão, propriedade de Carlos Gonçalves desde 2003, fica situada em Monforte. A história dos Reserva remonta outros tempos e começou na colheita de 1999 com o lançamento do primeiro Herdade do Perdigão Reserva tinto. Com a mudança de proprietário a qualidade dos vinhos manteve-se inalterada e têm conseguido até aos dias de hoje manter uma consistência assinalável. As mudanças apenas se têm reflectido nos rótulos, sempre num registo muito sóbrio e formal, para que agora surjam novamente renovados. É caso para dizer que muda a camisola mas a qualidade mantém-se inalterada a como sempre nos acostumou. Em prova as duas novas colheitas do Herdade do Perdigão Reserva, tinto 2014 e branco 2015.


Herdade do Perdigão Reserva branco 2015: um 100% Antão Vaz que passou por barrica durante seis meses. Se nas primeiras colheitas a barrica se fazia notar em demasia e tirava todo o protagonismo à fruta e entusiasmo ao vinho, agora temos precisamente o contrário. É a fruta que manda durante toda a prova, ganhando ligeira untuosidade do tempo que esteve na barrica, mas de resto é um conjunto dotado de uma bela frescura que o envolve e lhe dá a energia suficiente durante toda a prova. Será sempre um branco que combina bem com pratos de peixe assado no forno ou com carnes brancas. 92 pts



Herdade do Perdigão Reserva 2014: o lote mantém-se fiel às castas Trincadeira, Aragonez e Cabernet Sauvignon com passagem durante 12 meses em barricas novas de carvalho francês. Num perfil mais clássico sente-se o bom vigor da juventude marcado pela fruta (ameixa, bagas) ainda muito viva e pela madeira, tosta, baunilha, que pede algum tempo em garrafa para estar em plena harmonia. Em fundo uma boa nota de pimenta preta, num conjunto amplo e estruturado com muito tempo pela frente. No palato é marcado pela fruta, travo vegetal fresco, algo de terroso em pano de fundo com final persistente. Um belíssimo tinto, ronda os 15€ e que merece ser apreciado mas sobretudo guardado pois é com tempo que ele melhor se mostra à mesa. 93 pts

31 janeiro 2017

Carrocel Late Release Tinto 2011

Estamos perante um dos melhores tintos criados em Portugal, o Carrocel é a obra prima do mestre Álvaro de Castro (Quinta da Pellada) e nasce no Dão. Esta versão é especial e tal como o nome indica é um Late Release, uma edição com mais dois Invernos de estágio na adega do produtor. A Touriga Nacional brilha aqui na totalidade, o tempo apenas o tornou mais polido, redondo e equilibrado, no copo é puro prazer. Um vinho arrebatador que nos conquista assim que cai no copo, sedutor será a palavra que lhe assenta qual luva de cetim em punho de aço, o mesmo sentido que comanda este vinho. A fruta bem fresca e sumarenta escorre num conjunto refinado e complexo, pinhal e serra em pano de fundo. Amplo, profundo, toque de geleia de frutos do bosque muito fresca a ligar tudo. É daqueles vinhos que dá vontade de repetir e ter umas quantas garrafas bem guardadas para uma ocasião especial, o preço ronda os 65€ e vale cada cêntimo. 96 pts

28 janeiro 2017

Soalheiro Alvarinho 2016


A colheita 2016 do Soalheiro Alvarinho já entrou no mercado, vinho no qual se nota ligeira diferença para a colheita anterior, agora ligeiramente mais exuberante com notas de fruta variada onde algum tropical ganha protagonismo. Cheio de frescura, aromas limpos, com o segundo plano acente numa vertente mais citrina, mantém a mesma boa intensidade de conjunto, tenso, muito fresco e com austeridade mineral em pano de fundo. Na boca a fruta funde-se com uma muito ligeira e fina austeridade, ligeira secura de fundo num conjunto que se equilibra muito bem com a acidez do vinho. Beba-se desde já com uns camarões tigre grelhados ou então que se guarde por dois anos para se ter uma agradável surpresa. 93 pts

27 janeiro 2017

Mouchão Tonel nº 3-4 2011


Em anos de colheitas excepcionais e comprovada a sua qualidade, a equipa de enologia da Herdade do Mouchão reserva cerca de 10 mil litros de vinho nos famosos tonéis 3 e 4, de carvalho português, macacaúba e mogno, onde estagia durante 36 meses. O Herdade do Mouchão Tonel Nº 3-4 2011 é um vinho que carrega a responsabilidade de respeitar a casta e a tradição em anos excepcionais. Pleno de garra, profundidade e complexidade, é produzido a partir de uma cuidada selecção de uvas Alicante Bouschet provenientes da emblemática Vinha dos Carapetos, berço da casta em Portugal.

É um verdadeiro colosso que como poucos tem a capacidade de vergar autênticas plateias de apreciadores. A potência surge aliada a uma finesse que lhe assenta que nem uma luva de cetim, musculado mas bem torneado, de aromas limpos e cintilantes, enorme a fruta (bagas silvestres) bem madura e suculenta envolta em aromas de eucalipto. De copo na mão somos transportados para a Vinha dos Carapetos, num perfil amplo, profundo e com uma frescura que lhe percorre todos os recantos. A complexidade cresce com o tempo que passa no copo sem nunca largar aquele ligeiro terroso lá no fundo. Fantástico e inesquecível. 97 pts

Maçanita 2014


Ora voltando a um vinho que já se tinha mostrado na colheita 2013, surge agora com nova roupagem e com o 2015 em vias de entrar no mercado. O conteúdo continua fiel ao Douro e ao estilo da casa onde foi criado, conjuga austeridade com fruta saborosa e limpa, toque de grafite que lhe dá sensação de secura em fundo.Tem o corpo suficiente para pratos de bom tempero onde os rojões são disso um belo exemplo. Um tinto sem excessos e que se mostra bem fiel à região, neste caso com o lado mais guloso da fruta a querer dar-se a conhecer. O preço ronda os 10€ em garrafeira, num belo vinho pronto a fazer-nos companhia à mesa. 90 pts 

25 janeiro 2017

Filipa Pato Território Vivo Baga 2015


Centramos a atenção na casta Baga e no "Território Vivo" da Bairrada de onde nasce este tinto da enóloga Filipa Pato. Este vinho é o resultado da recuperação de vinhedo com mais de 80 anos localizado em várias parcelas de Ourentã, Silva, Villarinho do Bairro e São Lourenço do Bairro. Vinificado em lagares de carvalho com parte a passar em ânforas e outra parte com envelhecimento em pipas durante 12 meses. O preço ronda os 15€ e é uma agradável surpresa, o perfil segue aquilo a que Filipa Pato já nos acostumou e que imprime nos seus vinhos, a pureza e a liberdade do terroir se mostrar. Dominado por aromas de fruta madura e muito limpa, evidenciam-se as notas ácidas dos mirtilos, cereja preta a explodir de sabor, fundo terroso e algo austero com um toque balsâmico. Na boca é novamente um rodopio de sensações, marcado pela fruta e pela frescura, elegante a mostrar-se com um corpo estilizado. Uma muito agradável surpresa para beber agora ou guardar por uns largos e bons anos. 92 pts
 
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