Copo de 3

16 março 2018

Casa de Saima Garrafeira 2001


A Casa de Saima (Bairrada) tem na sua já longa história, um percurso que espelha bem os sucessos e os momentos menos bons que a região passou nas últimas décadas. Hoje em dia assistimos a um renascer tanto da região como também da Casa de Saima. Este Garrafeira 2001 parece ser o elo que ficou perdido no meio das duas realidades, quem não se lembra de o ver nas prateleiras do Pingo Doce a rondar os 15€ ? As últimas duas garrafas que tive oportunidade de beber deste 2001, pareceu-me estar uns furos abaixo do Garrafeira 1997. Este Garrafeira 2001 criado com Baga da Vinha da Corga estagiou durante um ano e meio em tonéis de carvalho avinhado. Algo contido de início, bouquet rico e pleno de típicidade, com couro, fruto vermelho (amora) com ligeira maceração, alguma rusticidade num toque terroso, cogumelos, madeira avinhada, pinhal num tom mais balsâmico, toque fumado, elegante  com boa frescura a envolver. Na boca é coeso, muito sabor da fruta macerada, taninos aveludados com grande harmonia de conjunto, bem equilibrado por uma bela acidez. 93 pts

15 março 2018

Anselmo Mendes Alvarinho Curtimenta 2014


Estamos perante um dos vários topos de gama criados por Anselmo Mendes, um branco dito à "moda antiga" com curtimenta, onde o mosto fermenta parcialmente com as películas das uvas. Ganha com este processo mais cor e mais taninos, ganha também outras nuances na sua complexidade aromática e a nível de sabores. O impacto inicial é fantástico e cativador, denso e concentrado com aromas limpos e muito frescos que invocam muitos citrinos como casca de laranja e limão, bouquet de flores do campo, tisana e ervas de cheiro num fundo com uma ligeira austeridade mineral no final a dar secura que lhe assenta como uma luva. Mostra ter corpo bem moldado pela frescura e fruta de pendor citrino, ligeiro biscoito de limão a meio para terminar longo e muito persistente. O preço que pedem por ele ronda os 22€ e vale cada cêntimo. 94 pts

14 março 2018

Herdade do Rocim Clay Aged 2015

Um projecto nasce, cria as suas bases e à medida que se torna adulto vai consolidando conhecimentos que lhe permitem hoje em dia afirmar-se como um dos melhores produtores nacionais. Não terá a história que suporta outras marcas, mas a qualidade dos seus vinhos está aí para o demonstrar e esta realidade merece ser conhecida de perto numa visita à adega. Os vinhos ali criados falam por si, um local onde o espírito das talhas não morreu e ganhou uma nova dimensão com o lançamento deste Clay Aged, cujo preço ronda os 40€. Criado com base nas castas Alicante Bouschet, Petit Verdot, Trincadeira e Tannat, foi pisado a pé em lagar de pedra, com a totalidade dos seus engaços para depois estagiar em talhas de barro por 16 meses. Em destaque a harmonia e elegância do conjunto, uma pureza da fruta como é raro encontrar ao lado de um toque de barro húmido com notas balsâmicas a perfumar o conjunto. Na boca deslumbra, muito aveludado apesar de toda a energia que o envolve, expressivo e com garra, frescura que o faz durar e perdurar. Mas acima de tudo é a elegância que mostrar ter, com todo o tempo que ainda tem pela frente... se conseguirmos resistir a esta tentação. 96 pts

13 março 2018

Taylor’s 325º Aniversário


Em prova o vinho comemorativo dos 325 anos da Taylor´s onde se destaca a garrafa, um recriação baseada numa antiga garrafa (onion bottle) do final do século XVII, com data próxima da fundação da Taylor´s. O conteúdo é um Tawny Reserve criado a partir de uma rigorosa selecção de vinhos destinados aos futuros Tawnies de 10, 20, 30 e 40 anos. É um vinho consensual e de fácil abordagem, delicado e misturando a complexidade dos lotes mais velhos com a juventude dos lotes mais novos que parecem dominar o conjunto. Aroma de boa complexidade,com alguma fruta fresca (romã,cereja) e fruta passa (figo, laranja, cereja) a lembrar bolo inglês,grão de café e especiarias. Boca a condizer com tudo muito certinho, frescura com o centro bem arredondado e guloso, num final com alguma secura a mostrar-se apelativo e bastante directo. Continuo a achar que a garrafa acaba por tornar-se mais apelativa do que o vinho que lá vem dentro, mesmo custando como disseram no lançamento, uns "acessíveis" 35€. 91 pts

José Maria da Fonseca Moscatel de Setúbal Superior 1955

É na Adega dos Teares Velhos (Azeitão) que a José Maria da Fonseca guarda verdadeiros tesouros, este Moscatel de Setúbal Superior de 1955 é disso um claro exemplo. De todas as colheitas já provadas esta está no lote das melhores, num destaque claro para o equilibrio perfeito entre a frescura e a doçura natural do vinho. Quando assim é damos um passo muito grande no que diz respeito à qualidade e ao que o vinho nos tem para contar, neste caso o bouquet é luxuoso e de enorme requinte e pureza. Complexo e concentrado, é impossível deixar alguém indeferente perante tão ilustre representante daquilo que é um dos melhores fortificados do mundo, o Moscatel de Setúbal. No copo o vinho ganha nova dimensão, desdobra-se em aromas e sabores, nas mais variadas camadas de frutos secos, melaço, geleia de laranja, sempre amparadas pela frescura. E quanto se esperava um monolito na boca, eis que brilha pela suavidade com que desliza pelo palato, marcante, dominante mas equilibrado e muito harmonioso, puro prazer. Este é daqueles vinhos que uma vez bebido nunca mais se esquece, ronda os 730€ por garrafa de 0,50cl. 100 pts

12 março 2018

Herdade do Arrepiado Amma Reserva 2014


«Amma de amar a família e aquilo que conseguimos alcançar juntos» é o que o vinho leva escrito, Amma resulta das iniciais do António e da Marta, e dos seus filhos Martim e Alice. É o topo de gama da Herdade do Arrepiado Velho e foi criado a partir das castas Petit Verdot, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional com todos os mimos que se pode querer e ter, na criação de um topo de gama. O descanso foi longo, dois anos em barrica com mais um ano de garrafa. Um vinho de produção reduzida, com apresentação luxuosa ao nível do preço que custa, ronda os 95€ cada garrafa. É um peso pesado com um jogo de pés e de cintura invejável, frescura e elegância num conjunto dominado pela qualidade da fruta, bem guloso mas muito sério.Um grande vinho com muita vida pela frente. 96 pts

09 março 2018

Freixenet Ice Cuvée Especial

Um Cava que gosta de ser rodopiado com gelo, ou seja, aconselham a que seja servido com gelo ou que seja utilizado como base para alguns cocktails. Este Freixenet Ice, preço a rondar os 10€, surge como um Cava Semi Seco onde a base são as castas Macabeo, Xarel lo e Parellada com um toque extra de Chardonnay, teve estágio em madeira de 14 meses. Todo ele é festivo, desde a imagem da garrafa ao agradar fácil uma vez bebido, em destaque aromas de fruta de pomar a servir de base. Na boca a ligeiríssima cremosidade com um ligeiro apontamento doce que se esbate numa leve secura de fundo e faz dele um espumante para ser bebido em ambiente descontraido, principalmente no Verão. 88 pts

08 março 2018

Niepoort Colheita 1963


Saltou para a mesa no final do jantar, como tantas outras o têm feito, num momento de partilha para ir bebendo enquanto se conversava. Os colheita da casa Niepoort são muito provavelmente dos melhores que podemos encontrar nesta categoria de excelência e este é disso exemplo. Bouquet de compêndio no que aos aromas diz respeito, está tudo o que queremos, gostamos e esperamos encontrar num colheita com esta idade e deste gabarito. Acima de tudo com uma frescura que lhe dá vivacidade, não tanta como teria num engarrafamento mais recente, mas o vinho mostrou-se um verdadeiro gentleman. E por mais que seja o rodopio no copo a complexidade vai-se desdobrando, enorme persistência numa boca que ao mesmo tempo aconchega num embalo inicial fresco, untuoso e com caramelo salgado, para terminar com uma boa dose de secura. A garrafa já vazia ainda ali está guardada, para sempre que olhar para ela me lembrar daquela noite, dos amigos e das gargalhadas... porque a vida é para ser preenchida por momentos assim. 97 pts

Vidigueira Perrum branco 2016

A casta Perrum costuma surgir emparelhada com outras castas em alguns brancos do Alentejo. Este vinho será das raríssimas vezes em que a podemos apreciar a solo. Nos livros da especialidade associam-na à casta que brilha em Jerez, a Palomino Fino, mostrando-se com descritores associados a aromas de citrinos com presença do limão, toranja, algum melão verde e pouco mais. A acidez é suficiente para dar graciosidade ao vinho, não destoa nem sobressai demasiado. Ganha alguma vivacidade na boca mas pouco mais que isto, conjunto coeso e bastante directo no que tem para dar. O preço ronda os 5€ e vale a pena como curiosidade para os que queiram conhecer a casta a solo. 88 pts

16 fevereiro 2018

Desnível Colheita Seleccionada 2016


É a mais recente colheita deste Desnível Colheita Seleccionada, criado no Douro pelo enólogo João Lopes Pinto. Nasce de duas vinhas e estagia 15 meses em barricas, o resto é a fruta a falar e fala bastante. O vinho é dominado pela fruta bem fresca e madura, toque mais austero e terroso a lembrar o xisto, chá preto, travo de esteva, é um vinho onde a frescura está presente tal como o toque mais agreste do Douro. A madeira apenas lhe limou pequenas arestas, mal se dá por ela, mas o vinho dá muito prazer a beber. Tem a dose certa de complexidade num vinho deste calibre, finesse e equilibrio suportados num conjunto bem estruturado. É daqueles que gosto de ter por casa e ir abrindo de forma descontraida, prazer assegurado tal como a longevidade a ver pelo exemplo do 2010. 90 pts


10 fevereiro 2018

Pinhal da Torre 2 Worlds 2012


O 2 Worlds da Pinhal da Torre (Tejo) resulta do encontro da casta Syrah com a Touriga Nacional e a Tinta Roriz. Serenou em barricas por 12 meses, mostrando-se um tinto cheio de fruta negra muito madura, ligeira compota com traço balsâmico fresco, amparado por um ligeiro baunilhado da madeira por onde passou. Harmonioso e cheio de genica, estrutura mediana, ganha com o rodopio no copo. Suculento e muito saboroso, o preço ronda os 9€ num vinho que junta o melhor de dois mundos. 90 pts

05 fevereiro 2018

Soalheiro Alvarinho 2017



Ano após ano repetimos a prova deste Soalheiro (Vinho Verde) clássico já bem conhecido do consumidor mais atento. Pelo preço que chega aos 9€ continua a ser das melhores relações preço/satisfação do mercado no que toca a brancos. Este ano surge com a frescura usual, aromas limpos, muitos citrinos, intensidade de conjunto com austeridade mineral em pano de fundo. Na boca a fruta marca com sabor, em fundo mineral e de ligeira austeridade, o travo limonado prolonga-o por momentos no palato. Um valor mais que seguro à mesa e na garrafeira, que a evolução é uma verdadeira surpresa. 93 pts
 
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